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HISTÓRIA

A história da vinha da Ordem, remonta à Fundação de Portugal, ao início do século XII.

Após longas e violentas lutas de reconquista da Península Ibérica aos Mouros, grande parte do território recuperado, incluindo Valhelhas, sofrera efeitos devastadores com perdas elevadas de população. 

Assim sendo, logo após estabilizados estes territórios e numa tentativa de incentivar a fixação de novos povoadores, foram concedidos pelo Rei, privilégios, consignados em cartas régias, designadas de Forais.

É nestes forais também atribuídos à então estratégica Vila de Valhelhas que no início da Fundação de Portugal, no sec. XII, mais precisamente no ano de 1188, surgem os primeiros registos da existência de vinha e vinho em Valhelhas. Há mais de 832 anos.Pela mão do então segundo Rei de Portugal D. Sancho I, O Povoador, neste Foral, foi concedido a tutela da Vila de Valhelhas à Ordem do Templo e seus frades.

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O Rei terá igualmente ordenado o restauro da fortaleza no antigo castro de Valhelhas, na sequência da formação de uma linha defensiva fronteiriça destinada a travar os avanços inimigos sobre os recentemente conquistados territórios em torno de Coimbra 

Deste foral assim como da imediata doação da vila a D. Gomes Ramires, Mestre da Ordem dos Templários, depreende-se que aqui se produziram vinhos pelos então monges da Ordem do Templo no local denominado, ainda hoje em carta militar, de "Vinha de Ordem".

O Foral do seculo XII foi, entretanto, renovado no século XIII por D. Afonso II no ano de 1217.

Posteriormente, eliminada a Ordem do Templo em 1311, passou a gestão da Vila transitoriamente à Coroa, mas que poucos anos depois (1318), pôde transferi-la à Ordem de Cristo.

Finalmente, surge o terceiro e último Foral atribuído pela mão do Rei D. Manuel (ver fotos do Foral) no ano de 1514 onde é referida textualmente a existência de vinhos em Valhelhas, que seriam utilizados por altura do Natal como uma das formas de pagamento de taxas da vila ao Reino. 

A Vila de Valhelhas recebeu três Forais, e teve a sua gestão a atribuída a diversas Ordens Religiosas e Militares, daí se possa presumir que o nome do local onde está a vinha "Vinha de Ordem", tal como se pode ver na Carta Militar era local de produção de vinho desde a Fundação de Portugal.

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Existem outras interessantes referências ao Vinho de Valhelhas ao longo da História de Portugal, nomeadamente, num documento de 1439 ("Carta De Quitação Passada Ao Almoxarife Da Guarda 1439") que refere que através do almoxarife da Guarda, se pagava em vinho de Valhelhas aos ferreiros de Ceuta no Norte de África.

Outro importante documento é a Bula Papal de 1503 dirigida a Valhelhas para nomeação de um conjunto de juízes de forma a resolver um diferendo entre o senhor da terra Rodrigo de Castro e Ordem de Avis. 

De referir a existência de um importante convento Franciscano a 4 km de Valhelhas, onde chegaram a viver 25 frades no séc. XVIII. Local pouco conhecido, mas de beleza ímpar e de nome Mosteiro do Bom Jesus de Valhelhas. Ficava assim mais uma vez evidenciada a importância que Valhelhas tinha.

Percorremos assim o vasto período entre os séculos XII e XVIII.

HISTÓRIA RECENTE DA VINHA: DO SÉC. XIX AO SÉC. XXI

Um dos aspetos interessantes desta vinha, prende-se com a sua história "recente" e a transmissão do legado cultural, conhecimentos e técnicas sobre vinha e vinho, que passou de geração em geração, muitas vezes por tradição oral e aprendendo fazendo.

No entanto, a primeira questão que se nos coloca é:

Como terá uma vinha pertencente a uma Ordem Religiosa passado ao domínio privado? Como se deu a transição do domínio público e religioso para o privado? A resposta está nos movimentos liberais do século XIX.

Recuando até 1834, chegamos ao ano em que o Governo Liberal, pela mão do Ministro Silva Carvalho, dá início à venda dos Bens Nacionais. Venda esta que foi precedida de um importante processo de incorporações que atingiu os bens da Igreja, da Família Real e parte dos da Coroa, e que levou à distribuição, feita por intermédio do Estado, de toda essa enorme riqueza móvel e imóvel.

Presume-se que à semelhança de muitas propriedades integradas durante este processo no património nacional e posteriormente vendidas, estas vinhas, tenham sido vendidas em hasta pública entre os anos de 1834 e 1844.

Desta forma a Vinha de Ordem terá transitado das mãos do Reino e da Igreja para domínio privado, e assim se terá mantido até à presente data.

A FAMÍLIA
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A vinha da Ordem vem transitando dentro da mesma família desde meados de 1800, há quatro gerações. Desta forma a família Saraiva Jerónimo, mantem uma profunda ligação ao campo à natureza e dá continuidade a estes valores entre as gerações.

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A MARCA

Este projeto nasceu numa das "Conversas à volta do Vinho" realizadas no Colegio de Agronomia da Regiao Sul da Ordem dos Engenheiros, que incentivaram o produtor e a família a recuperarem uma vinha, em tempos explorada por diversas ordens religiosas, como a Ordem do Templo, que produziam vinho desde o início da Fundação de Portugal,  preservando assim uma pequena parte da História e Cultura de Portugal.

A família Jerónimo e o produtor do vinho, Eng.º Pedro Jerónimo, acompanhado pelo Professor Virgílio Loureiro e Professor José Sobral, estão a desenvolver o projeto de recuperação da "Vinha da Ordem " que fica situada na aldeia de Valhelhas, no Parque Natural da Serra da Estrela, num escondido vale na margem esquerda do Rio Zêzere.

O produto âncora deste projecto é o Vinho da Ordem, inspirado na matríz  dos antigos vinhos da Europa.

Com processos de produção naturais este é um vinho singular feito a partir de cêpas centenárias é ideal para provar entre família e amigos.

Agradecemos à Ordem dos Engenheiros, com especial gratidão ao Engenheiro Fernando Mouzinho, que com seu empenho tem permitido dar a conhecer este projecto a todos os colegas, amigos e apreciadores.

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