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Os monges de várias ordens religiosas aqui produziram vinho, ao longo dos séculos, desde a fundação de Portugal, justificando o nome por que é conhecida a “Vinha da Ordem” que deu origem a um vinho peculiar.

 

Inspirado na tradição do processo de fabrico dos vinhos vermelhos da Idade Média e utilizando uvas de cepas centenárias de castas antigas, produziu-se um vinho clarete, fruto de um desejo familiar de preservar a história, de manter o património e de acarinhar e partilhar o conhecimento que os nossos antepassados nos legaram.

 

O Vinho da Ordem é feito com uma mistura de castas brancas e tintas previamente definida na altura de plantação da vinha, há muitas décadas atrás, segundo tradições seculares que foram passando de geração em geração. As uvas são vinificadas com curtimenta de modo que o vinho final fique clarete, que na Idade Média era conhecido por vinho vermelho e tinha um profundo significado religioso, dado ter a cor do “sangue de Cristo”.

 

As castas utilizadas neste vinho de antanho, são as representativas do encepamento antigo da Beira Interior e incluem Rufete, Jaen, Bastardinho, Marouco e Baga, entre as tintas, e Fonte Cal, Síria e Folgosão Rosado, entre as brancas e rosadas. Muitas outras são desconhecidas, aguardando um estudo para a sua eventual identificação.

 

 A utilização de castas tão diversificadas – brancas, tintas e rosadas, precoces e tardias, temporãs e serôdias – deve-se ao facto de uma vinha com maior variedade de castas ficar mais protegida das intempéries e pragas, pois se num ano se salvam umas no seguinte salvar-se-ão outras. Esta era uma forma simples e sábia que os antepassados usavam para prevenir perdas significativas de produção motivadas pela instabilidade climática. As vantagens traduzem-se em menos tratamentos e num vinho sempre diferente, em função das castas que melhor resistem às geadas, granizo e trovoadas, permitindo uma experiência distinta em cada colheita.

 

Um especial agradecimento ao Professor Virgílio Loureiro que com o seu conhecimento, entusiasmo e persistência, tem vindo a recuperar e a manter vivos os raros e autênticos vinhos dos nossos antepassados, como é o Vinho da Ordem.

 

Biografia do Professor Virgílio Loureiro

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