Prefere um vinho de vinha ou um vinho de adega? Ou ambos?

O que para uns é um dado adquirido e uma certeza para outros é um admirável mundo novo.

Ambos estão corretos e nem sempre em pontos opostos. Vejamos com alguns exemplos.



O ponto de partida da vinificação é sempre o mesmo, as uvas. Da vinha que nos dá as uvas se produz o vinho. Daqui em diante existem diversas opções.


Este percurso da vinha ao vinho, que evoluiu ao longo de milhares de anos, foi desenvolvido pela experiência, pela ciência e também pelo acaso. E certamente por um denominador comum: A paixão pela vinha e pelo vinho. Sem os quais não seria possível aqui chegar.


Daí ser difícil compreender como um vinho com menos intervenção se pode considerar melhor ou pior que outro com mais intervenção.

Intervir no processo de vinificação, não é necessariamente mau e por vezes é mesmo necessário.


Os processos podem ser:

- físicos, como por exemplo a decantação natural das partículas sólidas e coloidais que ocorre durante o inverno, ou a filtração com recurso a metodologias artesanais naturais como nos vinhos de talha ou uma filtração recorrendo a diversos tipos de filtro.

- biológicos, como é o caso dos levados a cabo pelas leveduras indígenas ou inoculadas, mas que existem sempre.

- químicos, sempre que há reajustes das moléculas que compõem o vinho, tal como as simples reações de oxidação quando se expõe o vinho ao oxigénio. Ou a combinação de todos estes processos.


O uso criterioso de técnicas e tecnologias pode fazer a diferença entre obter um vinho ou um vinagre.


Nem tudo o que é natural é bom e nem tudo o que é intervencionado é mau.

Há espaço para todos e clientes para todos os gostos.


Conviver com diferentes posições e abordagens é sinónimo de empatia para com a viticultura e vinificação.


Nós temos optado por uma vinificação minimalista, ao estilo dos vinhos naturais. Com vantagens e desvantagens que daí advêm.


Se por um lado temos a possibilidade de microvinificar e surpreender os clientes todos uns anos com vinhos ao sabor da natureza com respectivas variações interessantes de ano para ano, por outro lado corremos o risco de um para outro ano observar migração de clientes pois identificam-se mais ou menos com o que a natureza esse ano produziu.


É assim a vida de um viticultor e de um produtor. Não muito diferente da vida de qualquer outra pessoa, com riscos e decisões difíceis de tomar.


Bem haja a todos os produtores e apreciadores de vinhos e daquilo que a natureza nos dá.

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