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Vinhas, vinho e sustentabilidade

O trabalho no campo não é mais que uma extensão do trabalho da natureza pela mão do homem. No entanto ao replicar o trabalho da natureza para maximizar os resultados e a produção, inevitavelmente produz um impacto considerável na preservação do ecossistema, do planeta e seus recursos e equilíbrios.


Mas como produzir e ao mesmo tempo reduzir o impacto na natureza e seus recursos?

Esta questão tem atormentado uns mais que outros, mas no final das contas todos temos um impacto considerável com as nossas actividades. Desde o pequeno ao grande produtor, ao mais ou menos industrializado, quer seja o impacto directo quer indirecto, recusar ou mascarar este facto é retardar a mudança para um mundo mais sustentável e equilibrado.

Desde cedo se aprende que o que não se pode medir não se pode analisar e consequentemente alterar. Em bom rigor, uma boa medição por via de indicadores irá permitir uma adoção de estratégias mitigadoras e até compensadoras dos impactos nos sistemas.

Medir, calcular, estimar, registar, repetir e voltar a medir…. Com bom registo, cálculo ou estimativa de consumos, como por exemplo de energia, água, matérias primas, poderá ter-se um bom ponto de partida para actuar.

Na parte que nos toca, esta tem sido uma prioridade e um trabalho feito permanentemente com base na integração de processos desde a uva até ao consumidor.

Uma vez selecionados e medidos os indicadores, há que optimizar, nomeadamente através da redução de consumo de matérias, encaminhamento de matérias sobrantes para circuitos de reutilização ou reciclagem, entre outras medidas.

A emissão de co2 acaba por ser igualmente um indicador estruturante pois consegue repercutir no seu output consumos de energia directos e indirectos, associados a processos e até a matérias primas. É um indicador muito transversal e poderoso por isso termos dedicado especial atenção a este outup.

A experiência também nos diz que pese embora se façam esforços imensos o impacto da nossa actividade existe sempre, especialmente num modelo de circuito aberto. As economias circulares poderiam em muito contribuir para reduzir este impacto, pela reintrodução e reutilização de matérias primas e materiais. Em algumas empresas de outros sectores, nomeadamente águas e refrigerantes, o reuso de vasilhame por exemplo, é já uma realidade há dezenas de anos. Para quando nos vinhos?

Em termos de energia já a questão é mais complexa e requer um esforço global e em rede. Se o uso de energia é inevitável para produção de trabalho já a sua fonte pode ser mais ou menos amiga do ambiente e mais ou menos renovável. Aqui se estendem também em parte as nossas opções na forma como utilizamos, mas também escolhemos a fonte energia.

Neste âmbito, fizemos já algum trabalho no que nos era possível por via de instalação de microgeracão fotovoltaica, um sistema de água quente solar e um de aquecimento do ambiente a biomassa, produzindo neste momento mais eletricidade do que a que consumimos. Do lado do consumo substituímos algumas operações de adega por processos físicos de decantação, reduzindo e mesmo evitando o uso de filtragem. A iluminação não foi deixada ao acaso e iniciamos a substituição por tecnologia mais eficiente.

Já no transporte de garrafas para além de fazermos compras em maior volume e de encomendarmos garrafas mais leves, para assim optimizarmos o consumo de energia no transporte, reduzimos as deslocações entre os vários stocks e criámos condições mínimas de encomendas evitando vendas de pequenos volumes.

A ilusão da energia barata e consequentemente de consumo descartável, é facilmente desmontada quando internalizamos os custos ambientais e sociais…não há refeições grátis e a natureza sabe bem isso.

O tema da internalização dos custos ambientais será tema noutro próximo artigo.

Para já fica a mensagem: Fazer um uso consciente de recursos, consumir e pensar global é uma necessidade urgente do produtor ao consumidor.

No final do dia de trabalho só temos um planeta para habitar e partilha-lo com outras espécies, o “nosso” planeta Terra.

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