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Vinhas, vinho e sustentabilidade | Vineyards, wine and sustainability

Atualizado: 16 de mar.

O trabalho no campo não é mais que uma extensão do trabalho da natureza pela mão do homem. No entanto ao replicar o trabalho da natureza para maximizar os resultados e a produção, inevitavelmente produz um impacto considerável na preservação do ecossistema, do planeta e seus recursos e equilíbrios.


Mas como produzir e ao mesmo tempo reduzir o impacto na natureza e seus recursos?

Esta questão tem atormentado uns mais que outros, mas no final das contas todos temos um impacto considerável com as nossas actividades. Desde o pequeno ao grande produtor, ao mais ou menos industrializado, quer seja o impacto directo quer indirecto, recusar ou mascarar este facto é retardar a mudança para um mundo mais sustentável e equilibrado.

Desde cedo se aprende que o que não se pode medir não se pode analisar e consequentemente alterar. Em bom rigor, uma boa medição por via de indicadores irá permitir uma adoção de estratégias mitigadoras e até compensadoras dos impactos nos sistemas.

Medir, calcular, estimar, registar, repetir e voltar a medir…. Com bom registo, cálculo ou estimativa de consumos, como por exemplo de energia, água, matérias primas, poderá ter-se um bom ponto de partida para actuar.

Na parte que nos toca, esta tem sido uma prioridade e um trabalho feito permanentemente com base na integração de processos desde a uva até ao consumidor.

Uma vez selecionados e medidos os indicadores, há que optimizar, nomeadamente através da redução de consumo de matérias, encaminhamento de matérias sobrantes para circuitos de reutilização ou reciclagem, entre outras medidas.

A emissão de co2 acaba por ser igualmente um indicador estruturante pois consegue repercutir no seu output consumos de energia directos e indirectos, associados a processos e até a matérias primas. É um indicador muito transversal e poderoso por isso termos dedicado especial atenção a este outup.

A experiência também nos diz que pese embora se façam esforços imensos o impacto da nossa actividade existe sempre, especialmente num modelo de circuito aberto. As economias circulares poderiam em muito contribuir para reduzir este impacto, pela reintrodução e reutilização de matérias primas e materiais. Em algumas empresas de outros sectores, nomeadamente águas e refrigerantes, o reuso de vasilhame por exemplo, é já uma realidade há dezenas de anos. Para quando nos vinhos?

Em termos de energia já a questão é mais complexa e requer um esforço global e em rede. Se o uso de energia é inevitável para produção de trabalho já a sua fonte pode ser mais ou menos amiga do ambiente e mais ou menos renovável. Aqui se estendem também em parte as nossas opções na forma como utilizamos, mas também escolhemos a fonte energia.

Neste âmbito, fizemos já algum trabalho no que nos era possível por via de instalação de microgeracão fotovoltaica, um sistema de água quente solar e um de aquecimento do ambiente a biomassa, produzindo neste momento mais eletricidade do que a que consumimos. Do lado do consumo substituímos algumas operações de adega por processos físicos de decantação, reduzindo e mesmo evitando o uso de filtragem. A iluminação não foi deixada ao acaso e iniciamos a substituição por tecnologia mais eficiente.

Já no transporte de garrafas para além de fazermos compras em maior volume e de encomendarmos garrafas mais leves, para assim optimizarmos o consumo de energia no transporte, reduzimos as deslocações entre os vários stocks e criámos condições mínimas de encomendas evitando vendas de pequenos volumes.

foto2. Reducão de emissões de carbono obtidas resultantes de alteracão na producão de energia, comsumo de materiais e optimizacao de processos.

A ilusão da energia barata e consequentemente de consumo descartável, é facilmente desmontada quando internalizamos os custos ambientais e sociais…não há refeições grátis e a natureza sabe bem isso.

O tema da internalização dos custos ambientais será tema noutro próximo artigo.

Para já fica a mensagem: Fazer um uso consciente de recursos, consumir e pensar global é uma necessidade urgente do produtor ao consumidor.

No final do dia de trabalho só temos um planeta para habitar e partilha-lo com outras espécies, o “nosso” planeta Terra.



Vineyards, wine and sustainability


Field work is but an extension of nature's work by man's hand.

However, by replicating the work of nature to maximize results and production, it inevitably has a considerable impact on the preservation of the ecosystem, the planet and its resources and balances.


But how to produce and at the same time reduce the impact on nature and its resources? This question has tormented some more than others, but at the end of the day we all have a considerable impact with our activities.

From the small to the large producer, to the more or less industrialized, whether the impact is direct or indirect, refusing or masking this fact is to delay the change towards a more sustainable and balanced world.


From an early age one learns that what cannot be measured cannot be analysed and consequently changed. Strictly speaking, good measurement via indicators will allow the adoption of mitigating and even compensating strategies for impacts on systems. Measure, calculate, estimate, register, repeat and remeasure….

With good recording, calculation or estimation of consumption, such as energy, water, raw materials, you may have a good starting point for action.


As far as we are concerned, this has been a priority and a work done permanently, based on the integration of processes from the grape to the consumer. Once the indicators have been selected and measured, it is necessary to optimize them, namely by reducing the consumption of materials, sending leftover materials to reuse or recycling circuits, among other measures.


The emission of co2 turns out to be also a structuring indicator as it manages to reflect in its output direct and indirect energy consumption, associated with processes and even raw materials. It is a very transversal and powerful indicator, which is why we paid special attention to this out up.


Experience also tells us that despite immense efforts, the impact of our activity always exists, especially in an open circuit model. Circular economies could greatly contribute to reducing this impact, by reintroducing and reusing raw materials and materials. In some companies in other sectors, namely water and soft drinks, the reuse of bottles, for example, has been a reality for decades. For when in wines?


In terms of energy, the issue is more complex and requires a global and networked effort. If the use of energy is inevitable for the production of work, its source can be more or less environmentally friendly and more or less renewable. Here, our options also extend to the way we use it, but we also choose the source of energy.


In this context, we have already done some work as far as possible by installing photovoltaic microgeneration, a solar hot water system and a biomass heating system, currently producing more electricity than we consume.

On the consumption side, we replaced some cellar operations with physical decanting processes, reducing and even avoiding the use of filtration. Lighting was not left to chance, and we began replacing it with more efficient technology. As for transporting bottles, in addition to making purchases in larger volumes and ordering lighter bottles, in order to optimize energy consumption in transport, we have reduced travel between different stocks and created minimum conditions for orders, avoiding sales of small volumes.


The illusion of cheap energy and, consequently, of disposable consumption, is easily dismantled when we internalize the environmental and social costs… there are no free meals and nature knows this well.


The issue of internalizing environmental costs will be addressed in another upcoming article. For now, the message remains: Making a conscious use of resources, consuming and thinking globally is an urgent need from producer to consumer.


At the end of the working day, we only have one planet to inhabit and share it with other species, “our” planet Earth.






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